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“Orelha” 02 de “a Ponte” - Suyan Faria

Postado por Clube Em 08 Aug 2007 | Em: Antologias

Um dia me disseram para nunca desistir de escrever. Mas para quem tem a Literatura pelo lado de dentro do espírito, sendo o que Vinícius de Moraes chamou de “Alma que sofre pavorosamente/A dor de ser privilegiada”, não escrever equivale a “escolher morrer um pedaço”. Então é claro que nunca desistirei, não importa em que estágio esteja minha escrita. No entanto, para aprimorar-se, vencer a si mesmo e fazer sentido, o fruto da atividade literária precisa da interação com o leitor, a vida, o mundo, esse mundo que voa na velocidade da luz rumo à evolução tecnológica & outras. Isso nem sempre é bom: esse volume cada vez maior de informações massificadas, na tv, na internet e em todo lugar, em geral desestimula a leitura, a percepção do lirismo, da Literatura como necessidade primordial, para a “otimização” do indivíduo e de sua relação com o Todo. A Literatura precisa vencer as barreiras todas, as sociais, as econômicas, o preconceito, o desestímulo. E, nesse ponto, aplaudamos o Clube Amigos das Letras e sua feliz iniciativa chamada “Viva Livro”, um programa de leitura e circulação gratuita de livros. Aplaudamos seu responsável direto, Sérgio Grigoletto, e todos os demais colaboradores. Aplaudamos a escrita, a leitura, como escritores e/ou leitores sempre mais críticos e conscientes. E, nos vários sentidos possíveis, corramos o risco da evolução.

Suyan Faria
Araranguá - SC

“Orelha” 01 de “a Ponte” - Fátima Ricci

Postado por Clube Em 08 Aug 2007 | Em: Antologias

“Antologia”, em grego, significa coleção de flores. Nada mais apropriado para descrever este livro. O sétimo editado pelo Clube Amigos das Letras, de Barra Bonita, SP. A beleza e a inocência da cidade certamente alimentam a cruzada cultural a que se dedica o incansável Sérgio Grigoletto. Garimpar textos criativos não é tarefa pequena. Nem simples. Fácil, muito menos. Mas ele aceita o desafio. Ainda bem. Prova disto é o programa “Viva Livro!”, viva expressão de boa vontade e cidadania. Materialização da máxima de Malba Tahan – “Quem não lê mal fala, mal ouve, mal vê”, concorda com Paulo Francis: “Quem não lê não pensa, e quem não pensa será para sempre um servo”. A diferença entre aqueles e o Sérgio Grigoletto é que ele também dissemina cultura, democratiza a leitura e faz disto sua bandeira. E – que o digam os autores aqui presentes – também cede o veículo que traz à luz estórias e histórias, pensamento e emoção que se restringiriam a arquivos pessoais. Letras compõem palavras a que têm acesso todos os falantes da Língua. Mas poucos se valem da comunicação escrita de forma original, diversa do simples “juntar palavras”. Estes o Sérgio Grigoletto atrai, não por acaso, e seleciona, acolhe, publica! Um dos resultados é conceder espaço a jóias da criação literária inédita, muitas vezes por simples falta da oportunidade de dar-se a conhecer, que é o objetivo maior do que extrapola a alma e vai, irresistivelmente, para o papel ou a tela do computador.

Fátima Ricci – Poços de Caldas – MG

Nosso momento literário

Postado por Clube Em 08 Aug 2007 | Em: Antologias

Admiremos as pessoas que fazem. Aprendi a não comentar antes com ninguém de projetos ou idéias que tentarei colocar em prática. Talvez eu tenha aprendido mesmo é com o Sérgio Grigoletto, que, de uma hora pra outra brinda nosso tempo com outra produção supra literária, pois mostra como a arte escrita pode ser de valia muito adiante do que até então se podia supor.
Produto puro e genuíno da liberdade de pensar, as inquietações, calores e pulsares de nossa época são colocados no alto andar que merecem. Nossos textos podem estar longe de serem masterpieces. São a biografia da vida agora, do coração hoje, do mundo cujo ar é respirado neste exato momento. Relatos, impressões pessoais, poemas, liras embriagadas da necessidade de escrever, da possibilidade de montar uma rima ou uma frase quiçá perfeita, é o que veremos de agora em diante ao virar cada uma destas páginas, verdadeiras “radiações de um corpo negro”.
Como nem percebemos, estamos fazendo história ao penetrar em discussões que podem estar na pauta da humanidade há séculos. Nossa imersão no mundo da literatura é mais profunda do que pensamos, porque estamos despidos da cultura capitalista, a qual teve usurpado seu trono de “única-comandante-das-ações” para que a doçura de reencontrar amigos, comentar seus textos, editar um livro a muitas mãos, exerça sua tarefa sábia e sagrada de ver nascer obras de todos os lugares deste país.
Sim, porque um texto só existe quando é lido, quando é posto à prova monocrática de quem o toma pelas mãos e o transforma de papel e tinta em gota de experiências, anseios e temores.
A proposta literária do Clube Amigos das Letras é sempre desafiadora e responsável por fazer uma inclusão social que nada tem a ver com diplomas, faculdades e academias. Jamais profissionais que se dizem possuidores de certificados reconhecidos ou não pelo MEC. terão a verve de quem se sente instigado a abrir o computador ou pegar na pena com o intuito de derramar sua alma para que uma outra pessoa que ele nem conhece possa recolher tais impressões, de maneira a acrescentar algo ao leitor após tal apreensão. Se bem quiserem notar, todas a minibiografias nas antologias do Clube Amigos das Letras não fazem sequer uma referência a títulos e comendas. Remetem apenas ao afazer literário de cada um, o que é uma prova inconteste do valor da obra, do autor, e não de seus títulos.
Fui chamado a uma Delegacia de Polícia para depor no que seria um inquérito contra minha pessoa e aos jornais que me publicam, porque não sou jornalista profissional. Tal Sindicato me acusa de crime contra o emprego e falsidade ideológica, dentre outros. Ato contínuo, meus editores estão aguardando o trâmite do processo e não publicarão mais meus textos até que tudo se resolva, intimidados que estão. Sinto-me amordaçado, vivendo um retrocesso de quarenta anos, e faço desta minha apresentação a esta coletânea um libelo a favor da liberdade de expressão, cujos maiores representantes são vocês, escritores que deixam de ser anônimos a partir de agora e dão uma banana aos boçais incapazes e invejosos, de cuja pena jamais sairá uma frase poética, porque são secos e rasos. Viva a liberdade!

 


Marcondes Serotini Filho - Barra Bonita - SP
Ortodontista, cronista e autor dos livros:
“O Sonho: Crônicas Escolhidas”
“Os Caçadores de Tirisco”